6.1 Estranha demora…

Giovanni Onetto preparava mais um set de slides para a sua aula de desfecho de semana. – Esta ideia de resumo/síntese em formato audiovisual parece estar a resultar – pensou enquanto hesitava quanto à música a inserir naquele terceiro tema.

Verificou todos os slides do início até ao tema oito, o último, e voltou ao terceiro. Optou por um som em voga com a intenção de captar a atenção dos estudantes. Em seguida ligou a apresentação dos slides e tomou nota da duração e das pausas. Voltou ao início e um por um, retificou as gralhas do texto. Finalmente de um pulo levantou-se da sua cadeira deixando a apresentação automática a arrancar. Colocou-se estrategicamente a um metro e meio do monitor a observá-la minuciosamente.

  • Ok! Terminei! – exclamou Giovanni como se estivesse a informar alguém em seu redor. A sua sala manteve-se silenciosa.

Em meia dúzia de passos ajustou-se de novo à sua cadeira, fechou o modo de apresentação e retirou a marca de ‘automático’ para a colocar em ‘manual’. Consultou o seu relógio e procurou o comando do TV e quando o encontrou premiu o botão ’ligar’.Oh nada de interesse … Situações de justiça no estrangeiro, preços médios de produtos alimentares… Tocou novamente o mesmo botão e as imagens desvaneceram-se.

A cadeira do costume parecia chamá-lo e ele acorreu para consultar o e-mail.

  • Tão estranho não haver notícias sobre a campanha – considerou. Este Donnati é demais! De fato! Tenho de dizer alguma coisa à Francesca, pelo menos que não há qualquer avanço.

Levantou-se e começou a passear-se pela sala com ambas as mãos como que meias presas nos pequenos bolsos dos desbotados jeans e um olhar vago como se o espaço fosse amplo e destituído de qualquer objeto, por minúsculo que fosse. Poucos instantes depois, agarrou o aparelho de telemóvel e fez uma chamada.