5.7 Interregno

Duncan Alby mantinha a sua expressão seráfica, impassível. Contudo debatia-se com um desconforto crescente mesclado de desconfiança.

O seu cliente parecia muito satisfeito, repentinamente liberto de todo o nervosismo e tiques. Ao deixar o edifício do tribunal, despediu-se efusivamente do advogado e desceu o lanço de escadas como se alguém o aguardasse em baixo. Alcançado o passeio virou à direita, no sentido noroeste e continuou o seu percurso a pé, desaparecendo rapidamente no meio dos transeuntes.

Alby estava convicto de que ele não teria prestado qualquer atenção à data marcada para voltarem a conversar sobre o processo. Após descer as escadas de saída, virou em sentido oposto ao do seu cliente e caminhou cerca de 100m, premiu o controle do comando e entrou na sua viatura. Chave na ignição, pasta no banco detrás… mas subitamente parou, recostando-se uns segundos no seu banco.
Insólita – eis a palavra exata para descrever a forma como tinha decorrido a audiência. Sem concluir como se teria saído, o seu pensamento focava-se num ponto apenas: algo lhe escapava naquele processo.

 

Inspirou fundo, tentou afastar as suas dúvidas, rodou a chave na ignição e a viatura arrancou. Trinta minutos mais tarde estava já a trabalhar no seu gabinete.

 

A luz intensa de um sol quente batia sobre a sua secretária mas Duncan Alby nem se apercebeu. Estava praticamente a meio do seu relatório quando se ouviu um forte bater na porta do gabinete.

  • Duncan, então como correu? – questionou Patrick S. Dynt após abrir a porta sem esperar por autorização para entrar.
  • Bem, eu penso – respondeu Alby. Estou prestes a concluir o relatório…
  • O adiamento foi ótimo para nós – afirmou perentoriamente S. Dynt.

Duncan Alby anuiu afirmativamente com a cabeça e disse :

  • Já sabe???
  • Ora, essas notícias correm céleres – declarou Dynt em tom jovial. Até amanhã!
  • Até amanhã Patrick.