5.5 Bem cedo

João Miguel estava progressivamente a sentir-se melhor: igual a si próprio, pleno de energia.

Ao invés do seu habitual despertar tardio e entorpecido, acordava alegre, bem disposto e pronto para viver mais um dia na ilha.

Um processo de identificação começava a desenhar-se sem que o seu protagonista principal disso tivesse consciência.

Guida atarefava-se na cozinha quando João Miguel desceu para o pequeno almoço. Atenta como sempre, foi precisamente ela a primeira a notar a transformação e a atitude fresca do novo habitante.

  • Bom dia Guida! – saudou João Miguel
  • Viva! Dormiu bem?
  • Lindamente e acordei cheio de fome. Estava a pensar preparar umas torradas com o seu doce e uma chávena de leite.
  • Que bom! Será que pode preparar para mim também? Ainda queria acabar de arranjar estas couves.
  • Claro que sim! Como gosta das torradas? Mais tostadas, menos?
  • Mediamente tostadas com manteiga e doce.
  • Uhh!… Vou tentar encontrar o ponto médio. Espero que a torradeira ajude.
  • Ah?! Agora ninguém conta comigo…disse Pedro Bacéu ao entrar na cozinha de cabeça baixa em ar de queixa.
  • Ora essa! Desde quando? Saem já torradas em triplicado!
  • E Pedro, os últimos são os primeiros – retorquiu Guida, ao separar uma folha velha da couve para o monte do lado direito da bancada – o que pode significar que eu é que vou ter de esperar mais tempo pelas minhas torradas doces.
  • Nada disso. A minha princesa primeiro! – gracejou Pedro Bacéu.
  • Pedro, muito bem. Decididamente gostei. O que iremos fazer hoje?
  • Ajudar na apanha da fruta, certo? Penso que tínhamos comentado ontem.
  • Sim, é verdade. Mas preferi confirmar.
  • Vamos iniciar João Miguel nesta outra labuta – indicou Pedro olhando para Guida.

Guida limitou-se a piscar os dois olhos e a mostrar um sorriso rasgado num gesto muito seu.

As torradas estavam prontas e foram colocadas num prato ao centro da mesa . João Miguel dividiu o leite pelas três chávenas e a primeira refeição foi tomada num ambiente puramente descontraído.