5.4 A vários quilómetros…

João Miguel estava verdadeiramente interessado em pulverizar as macieiras como lhe tinha sido explicado. Procedeu com cuidado e alguma desenvoltura, o que agradou a Pedro Bacéu. João Miguel chegou ao ponto inicial pouco depois dele.

  • Já acabei – informou João Miguel, suspirando.
  • Cansado?
  • Não, não.
  • Ótimo. Vamos despir os fatos no caramachão e depois subimos novamente para preparar o terreno para a plantação. Uma parte. Temos ainda o dia de amanhã para acabar.
  • E hoje à tarde – lembrou João Miguel.
  • À tarde pensei que poderíamos dedicar-nos aos queijos. Sabe, hoje trocámos de funções: a Guida ordenhou as vacas e nós ficámos de preparar os queijos para dar-lhe tempo de começar a fazer umas cortinas.
  • Muito bem. – disse João Miguel. E continuaram a descer até ao caramachão.

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Giovanni gostava de sentir o ar do entardecer. Não importava a estação. A transição suave da luz do dia, crepúsculo e por fim noite, sempre exercera um fascínio muito singular, inexplicável sobre ele. Ao abrir a porta de sua casa, mais tarde do que o habitual, lembrou-se que não tinha jantar: ou telefonava a encomendar uma pizza para não de voltar a sair do bloco de apartamentos ou teria de ir até ao restaurante no final da rua, visto que mais nenhum outro estabelecimento estaria aberto. Hesitou…

  • Ah, não vou comer pizza outra vez – decidiu.

Voltou a fechar a porta e dirigiu-se ao Il Leggero.

  • Olá Luigi. Que temos de bom hoje?
  • Tudo, tudo Giovanni. Como está?
  • Bem, mas com fome.
  • Então prato de carne, certo?
  • Sim. Uma dose para levar.
  • Quer escolher ou preparo o seu preferido?
  • O meu preferido é o prato do dia hoje?

Luigi acenou com a cabeça em sinal afirmativo.

  • Ótimo! – exclamou Giovanni. É isso mesmo. Uma dose.

Luigi sorriu, tirou ma caixa de dose do armário existente na parte inferior do balcão e dirigiu-se à cozinha. Subitamente, retrocedeu e trocou a caixa de dose por duas de meia dose.

Giovanni percebeu. Olhou para a sala de refeições: estava meia vazia.

  • Bom, tomei a decisão certa quanto ao jantar.

Luigi trouxe a comida e Giovanni pagou, regressando de imediato a casa.

Ao chegar, pousou as caixas em cima do balcão da cozinha e olhou para o relógio: 21h55. Tentou arranjar espaço em cima da mesa da sala, retirando uns papéis. Ligou a televisão. Trouxe a comida ainda quente, sentou-se e começou a jantar.

O cheiro e o paladar da comida ofuscou tudo o resto e somente quando estava prestes a concluir a refeição, conseguiu centrar-se na informação noticiosa. Deslocou-se novamente à cozinha para ligar a máquina de café e no regresso, desligou o aparelho de TV e voltou-se para o computador. Foi outra vez à cozinha tirou o seu expresso e sentou-se a olhar para o monitor.

No topo de várias mensagens estava a de Fabrizio. Marcou um número de telefone e ficou a ouvir a sinalização de toque de chamada. Ao final de quatro toques, a voz do amigo surgiu do outro lado da linha.

  • Pronto!
  • Fabrizio? Giovanni! Já li a tua mensagem. Algum outro desenvolvimento?
  • Giovanni! Estava admirado por não dizeres nada .
  • Hoje cheguei muito tarde a casa.
  • Por enquanto não sei de mais nada. Fiquei surpreso com esta atitude porque o trabalho de Francesca até superou as minhas expectativas .
  • Eu já estava à espera, Fabrizio. Por outro lado, sabemos como funciona a ala Donatti… gostam de ter a última palavra.
  • Esperemos que seja apenas isso, sem mais problemas. Não aproveita nada dramatizar questões tão simples.
  • Vamos aguardar.
  • Claro, terá de ser. Se souber de mais alguma coisa, comunico-te.
  • Vamos estando em contato.
  • Xau.
  • Xau. Até amanhã! Obrigado.

E desligaram.