5.2 Contatos

Roberta Trenni estava a concluir a limpeza da sua sala, cumprindo fielmente a sua rotina de quinta-feira à tarde, quando o seu telemóvel tocou.

Uma pessoa quando está a tentar despachar-se, o telefone decide sempre tocar – pensou. Quem será?

Largou o pano de limpeza próximo da janela e correu para o hall de entrada. Ficou admirada a olhar para o móvel. O aparelho não estava ali.

Onde teria eu deixado o telemóvel? Tentou recordar-se. Talvez estivesse ainda na mala… Voltou à sala e localizou a bolsa. O telemóvel também não estava na mala.

Bom, logo aparecerá. Não deve ser urgente, já deixou de tocar.

E atravessou a sala até chegar à segunda janela. Agarrou o pano e nesse instante, o aparelho fez-se ouvir de novo.

Ok! Já percebi. Está na kitchenette.

Pousou o pano e acelerou o passo até ao compartimento. O telemóvel tocava junto ao frasco do arroz em cima da pedra cinza do balcão da exígua cozinha. Roberta atendeu.

  • Pronto! – disse.
  • Olá Roberta. Como estás?
  • Oh!… Que surpresa. Não é o teu número.
  • Não, estou sem saldo e pedi o telemóvel a um amigo. Vou ser breve. Não consegui bilhetes para o filme no próximo sábado. Mas podemos combinar uma sessão de cinema em minha casa. Que te parece?

Roberta ficou extática.

  • Roberta? Alô? – exclamou Marcus do outro lado da linha.
  • Sim, desculpa, deixei de ouvir – apressou-se a dizer. É que eu também tinha pensado em telefonar-te hoje à noite para desmarcar. Tenho um familiar muito doente. Compramos os bilhetes para o outro sábado. Pode ser?
  • Claro! Fica para a outra semana. Vou adquirir os bilhetes. Xau! – disse Marcus, já com um timbre de voz diferente.
  • Xau – despediu-se Roberta, desligando em seguida a chamada.

E pensou em Francesca.

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Ao chegar a casa no final de um dia de trabalho Fabrízio dirigia-se à cozinha, dava um beijo à namorada que habitualmente preparava a refeição para ambos, abria uma garrafa de água gaseificada e enquanto beberricava a água diretamente da pequena garrafa, entabulava conversa com Luciana.

Em seguida, dirigia-se à sala e ligava o computador para verificar as suas mensagens e o círculo do Movimento. Viu os panfletos partilhados por Giovanni e gostou. Preparava-se para transmitir isso mesmo ao amigo quando se apercebeu de uma notificação de entrada de nova mensagem, esta de um outro membro do Movimento que dizia apenas: Já viste os dísticos de Francesca? Lauro detestou!

Fabrízio abriu as mensagens privadas: Gostei do trabalho partilhado – escreveu – mas vamos ter problemas com Lauro! Liga-me Giovanni. Até logo!

Colocou a máquina em stand-by e foi pôr a mesa para o jantar.