7.3 Compra

Francesca Caprezzi apressava-se a executar todas as ações habituais antes de deixar a loja. Contrariamente ao que havia sucedido durante os demais dias da semana, aquele tinha sido bastante movimentado com imensas clientes, umas apenas com o intuito de visitar e inquirir, outras acabando por comprar um artigo ou outro. Francesca estava satisfeita com o resultado.

  • Tenho de ligar a Roberta – pensou. Estou muito atrasada.

Dirigiu-se à sua mala, procurou o telemóvel e quando o localizou, marcou o número de Roberta.

  • Pronto! – ouviu-se.
  • Alô Roberta. Estou atrasada…
  • Já tinha reparado – respondeu Roberta num tom aborrecido.
  • Mais 10 minutos, pode ser?
  • Outra solução existe?
  • Queres vir aqui ter?
  • Não! Vou tomar um refresco no Bambini. Vai lá ter…
  • Combinado. Até já! E desligou.

Roberta contornou a praça e escolheu uma rua que se parecia com qualquer uma das outras. Estancou na passadeira de peões, esperou pelo sinal verde e atravessou. A cinco metros um toldo grande azul e branco assinalava Bambino Café. Ao chegar optou por uma mesa sobre o lado direito da esplanada, recostando-se com um ar reconfortado na cadeira de verga.

O funcionário vindo do interior dirigiu-se a um casal numa mesa ao lado e em seguida, aproximou-se dela.

  • Uma limonada, por favor. Com muito gelo!
  • Com certeza!

Volvidos uns longos minutos a sua limonada foi servida. Precisamente nessa altura Francesca procurava a sua amiga na esplanada e quase esbarrava com o funcionário.

  • Desculpe! – disse Francesca para o rapaz.
  • Oh, Roberta! Estás aqui. Viva!

O funcionário inicialmente sisudo acabou por esboçar um sorriso perante tamanho despiste e vivacidade.

  • Estás boa Francesca? – perguntou Roberta calmamente.

Francesca, que já estava a voltar-se novamente para o funcionário, não respondeu.

  • Por favor, um sumo igual para mim. Com gelo!
  • Limonada, Senhorita?
  • É limonada? – perguntou Francesca a Roberta.

Roberta limitou a acenar que sim com a cabeça.

  • Então limonada com gelo. Obrigada.

O funcionário regressou ao interior do café.

  • Estou estafada e cheia de calor – disse Francesca em jeito de resposta tardia à pergunta da amiga.
  • Se preferires, não iremos ver as mesas hoje.
  • Por que não? Vamos sim. Fica já tratado. E tu como estás?
  • Ótima, mas este dia está tremendamente quente.
  • Ui! Então depois da correria que foi até chegar aqui…
  • Deixa, agora com os refrescos vamos ficar bem. Estas limonadas são fantásticas!
  • Eu sei! Para mim estão completamente aprovadas.

Saíram do Bambino Café vinte minutos depois em direção à loja de mobiliário.  Nessa altura o sol poente e a aragem de final de tarde tornavam o ar mais suportável.

Ao entrarem no espaço Design e Mobiliário ficaram surpreendidas com a sua dimensão. A montra, de tamanho médio, não denotava a imensa área da loja e a existência de dois pisos.

Francesca e Roberta concordaram em visitar os dois pisos para tirarem ideias e só depois debruçarem-se sobre o motivo da sua visita. Muito embora os dois andares tivessem algumas peças interessantes, os preços pareceram demasiado elevados a Francesca e a minúcia de Roberta naquele tipo de ambientes era totalmente exasperante. Em determinado momento, Francesca Caprezzi considerou que se soubesse o tamanho da Design e Mobiliário nunca teria combinado qualquer encontro com Roberta ali. Mas a amiga, quando queria, conseguia ser absolutamente amorosa.

  • Eu perco-me não é Francesca? – questionou, após um olhar mais atento para a expressão da amiga.
  • Roberta, nem vou responder…
  • Tem peças lindas… Vamos já descer para o piso zero.
  • Não digo que não, mas os preços são elevados, mesmo com promoção.
  • Vamos ver as mesas? perguntou Roberta para mudar de assunto.
  • Vamos!

Acabaram por escolher uma das mesas médias dentro do quadro “super-económico” assinalado por um enorme dístico que marcava uma reduzida área da loja. Antes Francesca Caprezzi tinha verificado cuidadosamente as suas anotações com as medidas e solicitado à funcionária que as atendia, as medidas de três das mesas em exposição. Decisão tomada, acordaram o dia e a hora da entrega da peça e Francesca efetuou o pagamento.

Ao deixarem a Design e Mobiliário as amigas já estavam as duas bem dispostas e cheias de apetite. Eram 21h30.

Durante o jantar o diálogo foi animado e acabaram a noite em casa de Roberta a tomar chá gelado com bolo já pela noite dentro.

Francesca Caprezzi nem se apercebeu dos dois sms de Giovanni Onetto.