6.4 No Troley Ken

Patrick S. Dynt apressou o seu passo até ao carro. O motorista já o aguardava no local habitual, mesmo em frente à porta do edifício. Dynt entrou no veículo e indicou:

  • John para o Troley Ken, por favor.

John arrancou suavemente. O Troley Ken ficava do lado oposto da cidade, mas o trânsito estava fluido o que encurtou o tempo da viagem.

Chegados ao local, Patrick S. Dynt saíu da viatura deu boa tarde ao porteiro e entrou sem mais. Lá dentro Albert Rivera já o aguardava sentado numa das mesas do meio da sala. O local estava praticamente vazio, podiam perfeitamente ficar à vontade.

  • Olá Albert! Não esperaste muito, suponho?
  • Não, claro que não Patrick. Estou curioso pela marcação deste encontro aqui. Qual é o mistério?
  • Sem mistérios! Tudo cordato e banal. Só que como sabes gosto sempre de comentar com o meu senior partner certas opções antes de tomar uma resolução.
  • Olha o que tomamos?
  • Apetecia-me um Rembrandt com muito gelo.

Abert fez um gesto para a funcionária que acorreu à mesa.

  • Dois Rembrandt com muito gelo – pediu secamente.
  • A Dora e os miúdos ? perguntou Patrick S. Dynt.
  • Oh, estão bem. E Bertha? Cindy?
  • Ótimas! Então nesta época não têm outro desporto senão irem para a praia, a festas e fazerem compras.
  • Mulheres! O sexo feminino adora fazer compras, é consumista por natureza e creio bem que seja assim desde o início dos tempos.

A funcionária trouxe as bebidas e colocou-as amavelmente sobre a mesa, incluindo um prato de aperitivos para cada um. Dynt limitou-se a um gesto de assentimento sobre o serviço se desviar o olhar de Albert.

O diálogo solto continuou por mais uns minutos enquanto os partners saboreavam aos pouco as suas bebidas e picavam cadenciadamente os aperitivos.

  • Albert, recordas-te do processo Sims?
  • Vagamente.
  • O Belga diz-te mais alguma coisa?
  • Ah sim, claro! Como está esse assunto?
  • Para já a audiência foi adiada até ser localizado o dono da loja. Muito linear.
  • Qual loja?
  • A loja onde trabalhava Sims.
  • Entendo. Está no início…
  • Sim. O processo foi entregue a Duncan Alby e do outro lado temos Robert Middletune.
  • Que é muito bom. De qualquer forma, eu gosto do Alby.
  • Pois, mas já começou com reticências.
  • Como assim?
  • Ele pensa que há algo que não bate certo – informou S. Dynt, contendo um sorriso.
  • Ora bem… ele tem é que apurar os factos! – disse Rivera, rindo.
  • Só que ele separou-se daquela namorada, aquela brasa também advogada que agora anda com Middletune e receio que não se aguente.
  • Soluções temos?
  • Sim. Substituto: Paul Trimble.
  • Muito bem! Não será nessa escolha que precisarás da minha opinião.
  • Não de todo. Tive uma ideia: contratar um investigador para sabermos os passos de Duncan Alby. Assim teríamos uma noção mais próxima do estado do assunto.
  • E da aproximação… Não me parece mal. Já tens um nome em mente? É que também depende da pessoa escolhida.
  • Lembrei-me do Douglas Kent. Que te parece? Pode ser outro.
  • Kent… Utilizámos o seu serviço há uns tempos, há dois ou três anos atrás, correto? Fez um bom trabalho.
  • Sim. É um pouco rude, bruto.
  • Mas dedicado…
  • Isso é verdade.
  • Pomos em prática esta ideia ou será que ela é excessiva para a dimensão do assunto?

Rivera não respondeu logo. Acabou de beber o seu Rembrandt e sacudiu um pouco de aperitivo derramado sobre a mesa e só depois acabou por dizer:

  • Não temos nada a perder. Os honorários não são muito dispendiosos e jogamos, suponho pelo seguro.
  • Estamos de acordo – respondeu Dynt.
  • Caso avances, dás-me um toque?
  • Sem dúvida.
  • Gostava também que me colocasses ao corrente do processo e dos relatórios do advogado e na eventualidade de se avançar com a ideia, os de Kent. Pode ser?
  • Claro! Já pensava fazê-lo.
  • Ótimo.

Pouco depois os dois homens saíram do Troley Ken, deixando gorjeta em cima da mesa. Partiram em direção a suas casas.